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sem ganasagora em versão medicada!
Aqui jaz
j f
morreu
como tinha vivido
sem ganas

Joan Fuster

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Senilidade

O que nos traz ao título que Svevo acabou por preferir, Senilità — uma palavra que, no contexto da sua escrita, de modo algum implica limitação mental causada pela velhice. A senilità em questão não se refere nem à patologia do envelhecimento nem à decrepitude precoce. Antes, sugere uma sensibilidade especial (algumas pessoas nascem de facto velhas); ou melhor, um tipo especial de inércia, a inércia do sonhador, uma versão moderna de acedia, ou ennui irónico — desprovido, no entanto, da dimensão metafísica atribuída ao termo por Baudelaire. Senilità, na perspectiva de Svevo, acompanha a acepção trágica da existência; representa a premonição permanente da vida como desastre, um cepticismo profundo sobre o nosso potencial, uma meditação incessável sobre vulnerabilidade e morte, uma sabedoria a que não pode ser dado uso, uma consciência da perda inevitável daquilo que jamais possuímos, um sofrimento agudizado enquanto a consciência se vê a si própria tanto como objecto como sujeito.
Introdução de Emilio's carnival / Senilità (Italo Svevo, 1898), Victor Brombert

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